A arte da madeira

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A marcenaria é um serviço indispensável para sua casa. Planejado ou personalizado, descubra qual é o móvel certo para sua necessidade* 

Uma das maiores vítimas da predatória intervenção humana na natureza, a madeira continua sendo a principal matéria-prima na fabricação de peças de mobiliário e decoração. Apesar de vivermos na era da internet 2.0, convergência de mídias, twitter, facebook, comunicação sem fronteiras e outros neologismos da webgeneration, a secular marcenaria ainda tem seu espaço e importância nos dias de hoje. Por isso é justamente tratada como arte. Tão ou mais antiga quanto à arquitetura, este ofício veio se desenvolvendo ao longo dos séculos. Esteve lado a lado das principais escolas e manifestações artísticas. Com a chegada das máquinas da Revolução Industrial, estabeleceu sua dinâmica atual.

Foi nesse momento que os fabricantes buscaram desenvolver linhas estéticas e funcionais que atendessem à necessidade da produção em massa para uma sociedade de consumo em formação. A alta demanda por móveis, somada ao pouco cuidado no manejo da madeira na natureza, fez com que algumas espécies simplesmente desaparecessem. A matéria-prima se tornou cara, dando espaço à criação de materiais derivados ou similares, como aglomerados e compensados. A principal vantagem deles é o custo.

Em série ou personalizado?

Existem duas possibilidades para a aquisição de móveis sob medida. A marcenaria industrial produz em larga escala (manufaturados em série, os chamados projetos modulares pré-estabelecidos). É o caso das empresas de “móveis planejados” que, a partir de um catálogo com linhas e modelos, adaptam os módulos ao gosto do cliente. As fabricantes de “móveis planejados”, por disporem de uma grande estrutura, normalmente apresentam maiores facilidades para o pagamento, pois oferecem prazos mais dilatados de financiamento. Mas é preciso ter cuidado com a taxa de juros embutida nesses contratos.

As pequenas marcenarias oferecem aos seus clientes produtos mais personalizados, até mesmo exclusivos, desenvolvidos a partir de projetos feitos sob medida e de acordo com a necessidade de cada um. Neste caso há a vantagem de o comprador poder escolher o material, acabamento e ferragem que mais lhe atrair. Por contar com uma estrutura enxuta, que gera custos fixos menores, esses marceneiros podem cobrar preços mais em conta, apesar de não trabalharem com prazos mais longos.

A dúvida é: qual caminho escolher? São vários os fatores e circunstâncias que determinam a compra. O mais importante é certificar-se da idoneidade da empresa ou do profissional contratado. Conferir se tem tradição no mercado, além de buscar referências com outros clientes sobre a eficiência do serviço prestado. Analisar a qualidade do material utilizado na confecção dos móveis também é fundamental. Atrás das belas portas podem se esconder prateleiras, fundo de armários e ferragens de material inferior. Após pouco tempo de uso seu investimento pode se desmanchar diante dos seus olhos. Não deixe de analisar o contrato com olhos de lupa. O quesito prazo de entrega, além do custo, é outro ponto fundamental. Pois ainda não inventaram uma mudança que não precise de armários.

Não se pode também relevar a importância de um bom projeto. Nas empresas de planejados os vendedores são arquitetos ou decoradores. Mas como o contato entre cliente e vendedor é relativamente curto, nem sempre o profissional consegue assimilar todas as demandas do comprador. A modulação, por ser um processo industrial, limita a criatividade destes profissionais. O marceneiro, por outro lado, está pronto para cumprir as expectativas e demandas do cliente, executando os projetos assinados por um arquiteto ou decorador e adequando cada peça ao seu espaço correspondente na nova casa ou apartamento.

*Publicado originalmente na revista Casa Bairro de Outubro de 2009

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