Dever de casa

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Adquirir um imóvel para morar pode ser a grande alegria ou a maior decepção da vida. Conheça dicas preciosas para encontrar, comprar e personalizar
a unidade ideal sem cair nas armadilhas criadas muitas vezes pelo mercado

Quem procurou um imóvel na cidade de São Paulo em algum momento da vida conhece bem a lição: as disputas neste mercado são duras, muito duras. Para seduzir o consumidor em meio aos altos valores e à concorrência acirrada, construtoras e incorporadoras utilizam táticas e ferramentas de divulgação cada vez mais eficazes. Na maioria dos casos, esses instrumentos de marketing são divididos em três tipos: panfleto, estande e apartamento decorado.
Tudo idealizado e executado por profissionais treinados para fazer o candidato se apaixonar pelos pontos positivos e, no embalo, eventualmente não enxergar os negativos. Por isso, algumas informações são fundamentais para evitar o erro na hora de comprar um bem tão importante e caro como o lar dos sonhos. Um erro que poderá consumir anos ou décadas para ser recuperado. Isso se houver condição para o reparo.

Tome-se como primeiro exemplo o panfleto de anúncio de imóveis. Em muitos casos, ele poderia isoladamente ser visto como obra de ficção arquitetônica. Equipamentos e móveis subdimensionados, espaços irreais e distorcidos de circulação de pessoas e armários com profundidade inferior ao mínimo aceitável são apenas algumas das “maquiagens” estampadas nesses papéis coloridos encantadores. O objetivo: produzir a sensação de
que o espaço pode ser ocupado em circunstâncias e perspectivas muito mais arejadas e vantajosas do que as reais. Em boa parte dos casos, essas imagens vistosas nem sequer passaram por uma avaliação, ainda que ligeira, de um especialista.

Nada disso é por acaso. Os condomínios atuais são projetados assim para atender as novas exigências de mercado. Varandas imensas e vários banheiros são incluídos nos projetos, diminuindo cada vez mais o espaço efetivo das áreas internas dos imóveis. Muitos dos que compraram imóveis novos nos últimos anos em São Paulo conhecem os resultados: quartos dramaticamente pequenos, cozinhas sem área para armários e salas que mal comportam dois ambientes (às vezes, nem dois sofás). Enfim, uma equação pensada, em muitos casos, para gerar ilusão.

Nesses panfletos há também maravilhosas representações feitas com softwares de três dimensões. A meta principal do uso da ferramenta poderosa não é, no entanto, a de representar o espaço nos moldes em que ele será efetivamente percebido e vivido pelo futuro morador, e sim a de instigar o sonho do candidato em todas as suas cores, formas, impulsos e dimensões. E, desta forma, detonar a espoleta do seu impulso de compra.

A melhor forma de conhecer um espaço é mesmo visitá-lo pessoalmente. Mas há um detalhe: ele só existe no projeto, pois o condomínio ainda será construído. Para resolver o problema, foi criado o estande de vendas. Nele, pode-se conhecer o terreno, observar a vizinhança e ver a maquete. Alguns oferecem até uma maquete em tamanho natural. Um apartamento decorado, mas construído sem as exigências estruturais e técnicas do real. Mesmo assim, é possível
fazer a projeção de seu futuro doce lar, levando-se em conta que não há portas e o acabamento está distante do especificado em contrato.

Outro ponto importante: o decorador contratado para dar cara àquela cabine de sedução batizada de estande é quase sempre uma estrela. A verba para o trabalho deste profissional foi alta, em alguns casos sem limite, o que poderá não ser a sua situação. Ele teve acesso aos melhores acabamentos, mobiliários e itens de marcenaria (aliás, não se esqueça de levar a trena para conferir todas as medidas). Na visita aos apartamentos decorados, com as obras do restante do prédio em andamento, os localizados no primeiro andar são normalmente usados para demonstração. Das três situações, esta é evidentemente a mais confiável e próxima daquela de ser encontrada. Mesmo assim, valem rigorosamente todas as recomendações dadas no caso das maquetes naturais ou estandes.

Bom, o cafofo sonhado passou em todos esses testes. Ótimo. O momento de assinar o contrato pode estar próximo, mas ainda é preciso cautela. É hora de conhecer o memorial descritivo do empreendimento, com as especificações de acabamentos, itens opcionais (que podem aumentar custos) e possibilidades de personalização do imóvel. A maioria dos projetos oferece variações da planta original sem custo adicional, mas outras alterações são cobradas após determinada fase de construção. Se você quer derrubar a parede da cozinha, por exemplo, essa mudança será cobrada pela construtora se não estiver especificada no memorial. Também é bom saber se os móveis e equipamentos da parte social serão fornecidos pelos construtores. Equipar uma academia ou um salão de festas, como se sabe, não é barato.

O contrato está finalmente assinado e a obra (ufa!), em curso. Neste período, você identifica a necessidade de fazer outras alterações, além das inicialmente oferecidas, para personalizar o imóvel. Isso é possível, mas existem condições e fases da obra a ser respeitadas. E elas variam de construtora para construtora. A personalização pode ser feita por um arquiteto ou profissional escolhido pelo comprador. Compare preços. As empreendedoras costumam inflacionar custos e oferecer opções limitadas. Um arquiteto vai estudar o projeto da unidade e propor boas soluções, algumas até não previstas por construtoras preocupadas em padronizar seu modelo “personalizado”. Comprar a casa é realizar um sonho. Tomara que essas dicas contribuam para que ele seja efetivado de forma segura.

Muita atenção no estande

Folhetos de venda são feitos muito antes de todos os projetos estarem concluídos. As interferências estruturais não irão aparecer. Acabamentos e detalhes não são fiéis. em maquetes eletrônicas, os espaços apresentam bastante distorção. o ponto de vista às vezes não está dentro do espaço mostrado. Os móveis colocados nas plantas nunca estão cotados. Por exemplo: muitas vezes, no quarto do casal, a cama representada tem 1,38m de largura. É a menor, mas a única que cabe no espaço. Muitos casais só se adaptam em tamanhos maiores. isso pode ser um problema. Muitos memoriais descritivos de acabamentos se referem apenas ao tipo de material. são repletos da marca X ou de similar. A especificação correta e completa do material é fundamental.

Alguns itens são opcionais, não vêm com o imóvel. exemplos: churrasqueira, forno de pizza e banheiras de hidromassagem. nos apartamentos decorados é difícil encontrar portas instaladas. isso faz diferença na percepção do espaço. Às vezes, materiais de acabamento também não são os especificados no projeto original, assim como as bancadas de cozinha ou o banheiro. Algumas vezes, nem as peças dos banheiros estão nas posições originais. A personalização feita pela construtora pode sair muito cara e limitada. confira as condições.

 

Medidas básicas a serem observadas em plantas de apartamento

• Armários de roupas: 0,55m de profundidade com portas de abrir e 0,60m com porta de correr • camas de casal: de 1,38m de largura por 1,88m de comprimento (tamanho médio: 1,58m x 1,98m) • circulação mínima de pessoas: 0,50m de largura • cama de solteiro: 0,88m x 1,88m comprimento • Portas: 0,70m (considere o espaço ocupado pela abertura da porta) • geladeira side by side) 0,93m de largura e 0,83m de profundidade (precisam de ponto de água) • geladeira comum: 0,65m x 0,70m • bancadas de pia da cozinha: 0,60m de profundidade • cadeiras 0,45m x 0,45m • sofá de dois lugares: 1,70m x 0,95m • sofá de três lugares: 2,10m x 0,95m

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